Eu quero dizer que

não vou me esquecer de você. Mesmo com essa turbulência toda no final. É que é impossível esquecer o primeiro amor verdadeiro. Eu não vou me esquecer de como nos conhecemos e como nos aproximamos. O quanto crescemos e o que sentíamos. É impossível não recordar vários dias do ano passado. Especialmente todos depois do dia 14 de janeiro.
O dia 27 de maio se tornou importante demais para mim, e sempre vai ser assim. Que o diga 20 de julho e os outros dois que se seguiram. O jeito que você me esperava na catraca do metrô e que me abraçou assim que eu ultrapassei essa barreira. Eu não vou me esquecer da roupa que vestíamos naqueles dias. Dos nossos sorrisos. Dos seus olhos brilhando, assim como os meus. Eu vou sempre lembrar de como esqueci o mundo naqueles dias. De como só você me importava.
Eu me lembro do primeiro beijo como se tivesse acontecido há cinco minutos. De como você chegou até mim e me fez sentir inteiramente seu. Não vou me esquecer dos filmes que assistimos juntos. Da felicidade que compartilhávamos por estarmos ali. É impossível esquecer essas coisas, sabe? Eu vou me lembrar do roxo que você deixou em meu pescoço. Dos arranhões que você fez em mim e das mordidas em meus lábios. Da nossa primeira vez e de como ficamos felizes com tudo. O jeito que você me abraçava e olhava para mim e abria aquele sorrisinho lento é algo inesquecível. Lembrarei-me de como o seu cabelo é bom de massagear, de como era cheiroso e macio. Do seu narizinho e do jeito que você fazia “não” pra me provocar.
Ainda que o tempo passe eu me lembrarei de você e dos momentos que nós tivemos. De como você me fez sentir bem comigo mesmo e de como você me fez feliz. Também me recordarei das brincadeiras. Dos nossos nomes. E do seu “para”.
Obrigado por me fazer sentir o que sempre quis sentir.  Sentirei sua falta.

Pedras, feridas e claridade

Sonhos amargos e dias nublados. Loucura? Aqui estou eu. O dia já está claro, mas está forte demais. Acho que sou sensível à claridade.
Eu estou no chão, estirado com grandes furos em todo o meu corpo. O sangue corre nas veias e sai no primeiro furo que encontra. Eu estou com vontade de gritar, mas estou sem voz. Eu quero desabafar, mas estou sozinho. Eu quero não me importar, mas eu não consigo.
Fingir? Preciso e tento, mas não dá. Estou tentando me enganar a dias, mas a verdade é mais esperta e veloz. Ela sente e fere. Ela corta cada parte de mim que restou.
E eu pergunto: como você mesmo pode se machucar? Por que diabos você ainda se fere?
As respostas estão soltas no vento e está difícil demais procurá-las.  Já supliquei ajuda para encontrá-las, mas a minha voz não sai e ninguém me escuta. Ninguém.
A claridade me deixou cego e sem rumo. Não consigo caminhar, mas eu preciso.
Há algum lugar que eu posso encontrar algo para me guiar? Eu tenho que encontrar.
Mas antes, preciso tornar-me uma pedra. Pedras não sentem. Existe algum mago aí? Ajude-me

Em busca de uma luz

Eu olhei devagar para todos os lados tentando procurar uma brecha de luz, mas não havia nada. Eu me senti como se estivesse em um labirinto sombrio. Eu tocava todas as paredes que me rondavam e sentia gotas de água sobre pedras trincadas. O cheiro estava forte. Não sabia definir bem o que era. Impressionante como o ser humano não é capaz de viver na escuridão, em especial aquele que sempre teve a luz do sol sobre sua mente e dias. Naquele labirinto não havia se quer uma lua, não havia nada. Eu me lembro de ter me esbarrado em algo que fez arranhões em minhas pernas. A dor começou a tomar conta do meu corpo. Os arranhões cresceram e subiram para o meu abdômen. Atingia lentamente os meus braços e o meu pescoço. Apesar de serem aparentemente grandes, os arranhões não sangravam, apenas deformavam as partes do meu corpo. Eu os sentia como se fossem bichos entrando em cada pequeno ligamento dentro de mim. No entanto, duas partes do meu todo estavam intactas: a minha cabeça e o meu coração. Eu senti essa última pulsar cada vez mais forte. O impulso interior foi tão grande que caí no chão por alguns instantes. A pequena queda só não foi maior e mais dolorosa porque consegui colocar as minhas mãos na frente para amortecê-la.  O impacto foi  forte e senti, principalmente, os tendões das minhas mãos gritarem por misericórdia. Apoiei-me na parede ao lado e ergui o joelho esquerdo primeiro. Aos poucos tomei a postura que estava há poucos minutos e sussurrei para mim mesmo: “seja forte”. Continuei a andar, rumo a um lugar desconhecido. Olhei para os lados, mas ainda não havia luz. Passei a mão para tentar reconhecer o lugar e percebi que havia três caminhos. Segui aquele que estava a minha frente. O motivo? Nem eu sei. Andei por várias horas, creio eu, tentando encontrar um pequeno feixe de luz. Mas ainda não havia nada.

Em busca de uma luz

Eu olhei devagar para todos os lados tentando procurar uma brecha de luz, mas não havia nada. Eu me senti como se estivesse em um labirinto sombrio. Eu tocava todas as paredes que me rondavam e sentia gotas de água sobre pedras trincadas. O cheiro estava forte. Não sabia definir bem o que era. Impressionante como o ser humano não é capaz de viver na escuridão, em especial aquele que sempre teve a luz do sol sobre sua mente e dias. Naquele labirinto não havia se quer uma lua, não havia nada. Eu me lembro de ter me esbarrado em algo que fez arranhões em minhas pernas. A dor começou a tomar conta do meu corpo. Os arranhões cresceram e subiram para o meu abdômen. Atingia lentamente os meus braços e o meu pescoço. Apesar de serem aparentemente grandes, os arranhões não sangravam, apenas deformavam as partes do meu corpo. Eu os sentia como se fossem bichos entrando em cada pequeno ligamento dentro de mim. No entanto, duas partes do meu todo estavam intactas: a minha cabeça e o meu coração. Eu senti essa última pulsar cada vez mais forte. O impulso interior foi tão grande que caí no chão por alguns instantes. A pequena queda só não foi maior e mais dolorosa porque consegui colocar as minhas mãos na frente para amortecê-la.  O impacto foi  forte e senti, principalmente, os tendões das minhas mãos gritarem por misericórdia. Apoiei-me na parede ao lado e ergui o joelho esquerdo primeiro. Aos poucos tomei a postura que estava há poucos minutos e sussurrei para mim mesmo: “seja forte”. Continuei a andar, rumo a um lugar desconhecido. Olhei para os lados, mas ainda não havia luz. Passei a mão para tentar reconhecer o lugar e percebi que havia três caminhos. Segui aquele que estava a minha frente. O motivo? Nem eu sei. Andei por várias horas, creio eu, tentando encontrar um pequeno feixe de luz. Mas ainda não havia nada.